OPINIÃO | A mais recente decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros caiu como uma bomba sobre o setor que mais sustenta a economia nacional: o agronegócio.
O anúncio, feito na semana, determina que a nova taxação entra em vigor a partir de 1º de agosto e atinge em cheio pilares da balança comercial brasileira. Soja, carne, milho e açúcar — justamente as principais commodities exportadas pelo Brasil — passam a ser penalizadas de forma abrupta, injusta e sem qualquer aviso prévio.
O impacto foi imediato. Produtores, cooperativas, federações do setor e parlamentares ligados ao agro reagiram com indignação. E com razão. Trata-se de uma medida unilateral, sem diálogo, que fere diretamente a competitividade dos nossos produtos no mercado internacional. Parece mais uma retaliação disfarçada de política econômica do que uma decisão baseada em critérios técnicos ou comerciais.
Mas o problema vai além da economia. O agronegócio, que foi um dos principais aliados da campanha da direita nas eleições presidenciais, especialmente do ex-presidente Jair Bolsonaro, se vê agora no meio do fogo cruzado de uma disputa política entre direita e esquerda. E o que era para ser uma parceria de interesses econômicos virou um jogo de empurra, onde o Brasil paga a conta das tensões ideológicas.
A taxação imposta pelos EUA é, em parte, reflexo desse ambiente de instabilidade diplomática e partidarização das relações internacionais. O agro, que sempre foi pragmático e ligado à produtividade, agora repudia veementemente essa penalização de 50% e começa a repensar suas alianças políticas.
O recado é claro: o sinal está vermelho. A taxação acendeu um alerta dentro do próprio setor e pode ter consequências imprevisíveis para as eleições de 2026. Um dos pilares da base eleitoral da direita agora questiona os rumos da política externa e cobra mais responsabilidade dos atores envolvidos. Se nada mudar, o próximo ciclo eleitoral poderá trazer surpresas — e quem hoje conta com o apoio do campo pode não tê-lo mais amanhã.
Enquanto a classe política segue em guerra ideológica, o Brasil segue sem uma representação firme no exterior. Falta articulação, falta defesa dos nossos interesses. E no fim, quem paga a conta é o trabalhador do campo, o produtor que investe, arrisca e movimenta a economia.