Essa é uma pergunta que muitos fazem — e que, de imediato, nem sempre é fácil responder. Não porque não existam fatos, mas porque o discurso bolsonarista foi construído para blindar seu líder, usando palavras que, à primeira vista, carregam peso moral e emocional: Deus, Pátria, Família. É um slogan poderoso, mas que serviu, muitas vezes, para esconder práticas que negam justamente esses valores. Desde a perda das eleições de 2022, Jair Bolsonaro enfrenta diversas acusações graves, formalizadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e aceitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele responde a cinco crimes principais, associados à tentativa de golpe de Estado:
- Organização criminosa armada
- Além disso, Bolsonaro está indiciado em outros casos complexos: como o escândalo das joias sauditas — que envolveu suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa por supostamente apropriar-se de presentes sem registro fiscal e incorporá-los ao seu patrimônio pessoal BBC — e investigações sobre a utilização da ABIN para espionagem ilegal de opositoresTentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
- Golpe de Estado
- Dano qualificado ao patrimônio da União (incluindo as destruições de 8 de janeiro de 2023)
- Deterioração de patrimônio tombado
Nas últimas semanas, vimos uma ironia histórica: aqueles que diziam defender a pátria se calaram diante de medidas de outros países que prejudicam o Brasil. Muitos, inclusive, carregavam com orgulho a bandeira norte-americana — um gesto que contraria o patriotismo que pregam. Isso mostra que, no fundo, o discurso era mais sobre identidade de grupo do que sobre o país.
Os crimes e atitudes de Bolsonaro não se resumem a atos isolados. Eles se refletem no incentivo à desconfiança nas instituições, no desprezo pela ciência, na banalização da violência e no fortalecimento de uma camada social que acredita estar acima da lei. Isso preocupa porque cria uma cultura política de idolatria, na qual o líder é tratado como salvador, e não como servidor público responsável por solucionar problemas.

Lula e Bolsonaro, por anos, alimentaram uma rivalidade que se tornou o principal combustível do debate político brasileiro. Essa guerra de narrativas não resolve nada — apenas espinga para a população uma sensação constante de insegurança e insatisfação. Cada grupo se apega à sua versão de verdade, e mudar de opinião se torna quase impossível.
Precisamos romper essa lógica. Política não é sobre torcidas organizadas, é sobre responsabilidade, ética e compromisso real com o bem coletivo. E, nesse ponto, é preciso reconhecer: Bolsonaro falhou — e não foi pouco.