OPINIÃO | A direita brasileira precisa encarar um fato incômodo está refém de uma liderança que já não entrega o que promete. Jair Bolsonaro e sua família foram importantes para dar voz a um movimento conservador sufocado por décadas, mas hoje carregam um fardo pesado de desgaste político, investigações e derrotas estratégicas. É como se o movimento estivesse preso a um passado que já não mobiliza como antes.
O problema não é a direita, que segue forte, com grande presença social e eleitoral, mas a dependência excessiva de um único sobrenome. Esse vício impede o surgimento de novas lideranças e mantém o campo conservador girando em torno das mesmas polêmicas, dos mesmos discursos inflamados e das mesmas estratégias previsíveis que a esquerda já aprendeu a neutralizar.
A verdade é dura: enquanto a direita continuar apostando apenas no “mito”, continuará perdendo espaço. Não faltam nomes preparados, competentes e capazes de dialogar com diferentes setores da sociedade. O que falta é coragem para romper com o personalismo e abraçar um projeto maior do que a defesa incondicional de um líder.
A esquerda se mantém competitiva porque sabe se renovar. Lula, goste-se dele ou não, já viu seu ciclo chegar ao fim no passado e teve que abrir espaço, construir alianças e reinventar seu discurso. A direita precisa aprender essa lição, e rápido.
Se a meta é vencer nas urnas e governar com estabilidade, está mais do que na hora de trocar o culto à personalidade por um movimento unido, estratégico e plural. Chega de “Bolsonarismo de Dependência”. O Brasil é maior do que qualquer família.