Natural de Anápolis e criado em Goiânia, José Pedro Galvão, conhecido no meio artístico como Pedro Galvão, é hoje um dos nomes de referência das artes visuais no Estado. Aos 63 anos, ele acumula uma trajetória marcada por experimentações, militância cultural e, sobretudo, pela crença de que a arte é capaz de transformar vidas e realidades sociais.

Seu primeiro contato com o universo artístico veio ainda na infância. Fascinado pelo cinema, pela literatura e pelo circo, Pedro mergulhou no teatro amador nos anos 1980, quando integrou um grupo que encenou peças como Morte e Vida Severina. Paralelamente, dedicava-se à pintura e ao desenho, mesmo enquanto trabalhava na diagramação de jornais, revistas e livros.
Após se casar, afastou-se por três décadas da produção artística, mas nunca deixou de frequentar teatros, museus e exposições. Foi apenas em 2009 que retomou a produção com foco nas artes visuais. “Escolhi as artes visuais para manifestar minhas propostas artísticas de cunho social, sem preocupação comercial, mas com questionamentos sociais, políticos e filosóficos”, conta.
Sua primeira exposição individual aconteceu no Hotel Serras de Goiáz, com a mostra Cacos e Pinturas, que reunia mosaicos e pinturas. O trabalho teve repercussão positiva e o incentivou a seguir na carreira. Desde então, séries como Artistas de Rua — premiada e reconhecida — e Ópera consolidaram sua identidade artística.
Da produção individual à militância coletiva
Em 2015, Pedro ingressou na Associação Goiana de Artes Visuais (AGAV). Sua experiência como empresário gráfico e designer o levou rapidamente a ocupar cargos de liderança até assumir a presidência, função que exerce atualmente em seu segundo mandato.
Um dos maiores desafios, segundo ele, foi resolver a falta de sede da instituição, que há 16 anos funcionava de forma improvisada. Com mobilização dos associados, conseguiu estabelecer a AGAV Galeria de Arte, no Centro de Goiânia, hoje ponto de referência para exposições e atividades culturais.
“Nosso objetivo é fortalecer o coletivo de artistas, dar espaço para quem está começando e oferecer um calendário anual de atividades que fomente a cultura local”, explica. Entre os projetos realizados, estão o Goiânia Artedoor e o MIC, além de diversas parcerias com espaços culturais.
Arte, política e resistência
Apesar das conquistas, Pedro critica a dificuldade de acesso aos espaços públicos de cultura e a falta de políticas específicas de incentivo para associações e coletivos. “Infelizmente, ainda predomina a ideia de que cultura em Goiás é só música sertaneja. É preciso respeitar todas as linguagens artísticas, como teatro, artes visuais, cinema, dança e literatura”, afirma.

Para ele, a principal carência dos artistas plásticos hoje é o reconhecimento da imprensa e a divulgação das exposições, o que poderia ampliar as vendas e permitir que mais profissionais vivessem exclusivamente de sua arte. “Muitos acabam desistindo da carreira porque precisam ter dois ou mais trabalhos para sobreviver”, ressalta.
Sonhos e perspectivas
Pedro sonha em transformar a sede da AGAV em um ponto cultural permanente, com apoio financeiro público e privado. Pessoalmente, deseja retomar sua própria produção artística, atualmente limitada pela intensa dedicação à gestão da associação.
Questionado sobre um conselho para quem sonha em viver de arte no Brasil, ele é direto:
“Produza obras autorais. Chega de repetir os mesmos temas. Procure novas técnicas, novas propostas, estude, mantenha-se informado e use as redes sociais para divulgar seu trabalho. Só assim será possível construir uma carreira sólida.”
Para Pedro, a arte é mais do que expressão estética: é registro histórico e cura social. “A arte é o registro de que estive aqui”, define. E completa: “Ela pode transformar realidades, abrir caminhos para quem foi impedido de sonhar e oferecer uma nova chance, mesmo depois de uma vida inteira dedicada a outros papéis sociais.”






imagens das obras do Artista Pedro Galvão