Na noite de ontem (23/02/2026), lideranças da Federação PSOL–Rede se reuniram para debater o posicionamento do grupo nas próximas eleições estaduais. O encontro marcou um momento considerado estratégico pelas siglas, que defendem maior protagonismo político em Goiás e discutem a construção de uma candidatura própria ao Governo do Estado.
Historicamente, a federação apoiou candidaturas do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições majoritárias em Goiás. No entanto, segundo integrantes, o cenário atual aponta para a necessidade de renovação e maior autonomia política. O entendimento interno é de que os partidos não devem permanecer apenas como força auxiliar, mas assumir papel central na disputa eleitoral.
Possíveis nomes e fortalecimento feminino
Dois nomes surgem como possíveis pré-candidaturas ao Governo Lilian Monteiro, pela Rede Sustentabilidade, e Cíntia Dias, pelo PSOL, que já disputou o cargo anteriormente.
Lilian Monteiro defende que a Rede tenha protagonismo na eleição, destacando a importância de uma agenda voltada à sustentabilidade, desenvolvimento econômico aliado à responsabilidade ambiental e inclusão social.
Já Cíntia Dias reforça a necessidade de diálogo para a construção de um estado mais justo e socialmente equilibrado. Segundo ela, áreas como saúde, saneamento e política fiscal precisam ser debatidas com mais profundidade.
A eventual candidatura feminina da federação é apontada como um marco inédito na política estadual, ampliando a representatividade das mulheres na disputa pelo comando do Executivo goiano.
Relação com o PT e cenário nacional
A federação também avalia o cenário nacional. Integrantes reconhecem avanços do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente no envio de ministros a Goiás para entrega e anúncio de obras federais. Dados do Governo Federal apontam investimentos em infraestrutura, educação e programas sociais no estado, muitos ainda em execução.
Por outro lado, a indefinição interna do PT em Goiás sobre candidatura majoritária é vista como um fator que pressiona a federação a organizar seu próprio projeto político.
A visita do deputado federal Guilherme Boulos no dia 25 de fevereiro na quarta feira ao estado é considerada por lideranças do PSOL um indicativo de fortalecimento partidário nacional e estímulo à construção de uma alternativa de esquerda com identidade própria.

Críticas à gestão estadual
No campo estadual, a federação apresenta críticas à condução de serviços públicos. Entre os pontos levantados estão o desempenho do sistema de saúde dos servidores (Ipasgo), debates sobre a privatização da Saneago e a política tributária relacionada ao setor agropecuário.
Dados recentes mostram que Goiás possui cerca de 7,3 milhões de habitantes, com forte dependência do agronegócio na composição do PIB estadual. A federação defende equilíbrio entre desenvolvimento econômico e justiça social, com revisão de políticas públicas que, segundo as lideranças, precisam de maior transparência e eficiência.
Sobre segurança pública — área frequentemente destacada pelo governo estadual como referência nacional — a federação argumenta que os indicadores precisam ser analisados comparativamente com estados de porte semelhante, considerando população, extensão territorial e investimentos proporcionais.
Momento de definição
Para as lideranças da Federação PSOL–Rede, o momento é de definição estratégica. A avaliação interna é de que Goiás vive um cenário que exige debate mais aprofundado sobre desigualdade social, sustentabilidade, serviços públicos e representatividade política.
A decisão final sobre candidatura própria ou composição com outros partidos deverá ocorrer após novas rodadas de diálogo. O que já está consolidado, segundo os participantes da reunião, é a disposição da federação em deixar de ser coadjuvante e buscar protagonismo na próxima disputa eleitoral.
texto: editorial Jornal Pacity