Hoje parando para refletir sobre a condição humana, lembrei que durante a pandemia da COVID-19, o Brasil parou. Foram mais de 37 milhões de casos e mais de 700 mil vidas perdidas. No meio de tanta dor, muita gente prometeu mudar. Diziam: “Se eu sair vivo disso, vou amar mais, estar junto, cuidar de verdade das pessoas.” Parecia um discurso universal, e esperávamos um mundo com mais amor, carinho e cuidado, relacionamentos mais vivos e intensos.
Mas e agora? A pandemia passou, e com ela, parece que passou também a vontade de ser melhor. Hoje, o que mais se vê são pessoas evitando se apegar, fugindo de relacionamentos sérios e trocando o cuidado que deveria ser dedicado a outro ser humano, pelo cuidado por plantas, pets, robôs ou até bebês reborn. Nada contra as pessoas que alimentam esse tipo de relacionamento, mas será que não estamos usando isso como desculpa para não nos envolver?
Ficou mais fácil não cuidar de ninguém. Mais prático não amar. Mais seguro não sentir. Mas será que é isso mesmo que queremos?
A pandemia nos ensinou que a vida é frágil e que ninguém vive bem sozinho. A gente pode, e deve ser melhor a cada dia. Só que isso exige coragem para se importar, se entregar, perdoar e continuar tentando. Não adianta só sobreviver, a gente precisa viver e amar de verdade.

Elyane Lobão – colunista do Jornal.