{"id":11189,"date":"2025-07-10T21:25:35","date_gmt":"2025-07-11T00:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/jornalpacity.com.br\/?p=11189"},"modified":"2025-07-10T21:25:37","modified_gmt":"2025-07-11T00:25:37","slug":"o-triste-fim-da-cidade-que-nao-le","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornalpacity.com.br\/?p=11189","title":{"rendered":"O triste fim da cidade que n\u00e3o l\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Goi\u00e2nia ocupa o \u00faltimo lugar entre as 27 capitais brasileiras no ranking de leitura, segundo a 6 \u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Apenas 40 % da popula\u00e7\u00e3o com 5 anos ou mais afirmou ter lido, inteiro ou em partes, ao menos um livro nos tr\u00eas meses anteriores \u00e0 pesquisa. Essa lancinante realidade revela o pouco valor atribu\u00eddo a essa pr\u00e1tica t\u00e3o significativa e prazerosa. A cidade que canta seus ip\u00eas floridos, seus jovens universit\u00e1rios e sua tranquilidade urbana amarga, agora, o t\u00edtulo de capital que menos l\u00ea no pa\u00eds. A not\u00edcia, embora triste, convida a reflex\u00e3o por que lemos t\u00e3o pouco?<\/p>\n\n\n\n<p>Ler \u00e9 mais do que folhear p\u00e1ginas. \u00c9 abrir as janelas da exist\u00eancia. Viajar para lugares long\u00ednquos, no espa\u00e7o e no tempo, sem sair do lugar. A leitura \u00e9 uma ferramenta de percep\u00e7\u00e3o da realidade, desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico e de sensibilidade para o humano. Al\u00e9m disso, \u00e9 um direito cultural e educativo, essencial para qualquer sociedade que almeje um desenvolvimento pleno. Quando uma capital como Goi\u00e2nia apresenta baixos \u00edndices de leitura, h\u00e1 algo que precisa ser urgentemente revisado.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversos fatores ajudam a entender esse quadro. A come\u00e7ar pela infraestrutura cultural da cidade. Quantas bibliotecas p\u00fablicas temos em funcionamento pleno? Quantas livrarias acess\u00edveis existem fora dos grandes shoppings? Em muitos bairros da capital, \u00e9 mais f\u00e1cil encontrar uma farm\u00e1cia 24 horas do que um espa\u00e7o de leitura ou biblioteca. E nas escolas, apesar dos esfor\u00e7os de muitos professores, faltam acervos atualizados, projetos de incentivo \u00e0 leitura e, muitas vezes, tempo no curr\u00edculo para cultivar o h\u00e1bito de ler com prazer.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Al\u00e9m disso, outro fator de empecilho \u00e9 a concorr\u00eancia com o entretenimento digital \u2014 redes sociais, v\u00eddeos curtos, maratonas de s\u00e9ries \u2014 que consomem o tempo e a aten\u00e7\u00e3o dos leitores em potencial. \u00c9 como se o mundo tivesse ficado mais barulhento e o sil\u00eancio necess\u00e1rio para a leitura se tornasse cada vez mais raro. N\u00e3o se consegue parar a mente, t\u00e3o acostumada \u00e0 rapidez e \u00e0 din\u00e2mica dos v\u00eddeos e est\u00edmulos digitais, faz da leitura quase uma impossibilidade. Diametralmente oposta \u00e9 a hist\u00f3ria de Policarpo Quaresma, no livro \u201cO Triste Fim de Policarpo Quaresma\u201d (Lima Barreto), o goianiense (em sentido gen\u00e9rico) n\u00e3o \u00e9 \u00e1vido pela leitura. O personagem em quest\u00e3o era um fan\u00e1tico leitor de literatura que descrevesse o Brasil. E que at\u00e9 vai para o outro extremo, o de ficar louco por ler tanto. Aparentemente vivemos ironicamente no outro lado do p\u00eandulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nem tudo est\u00e1 perdido. H\u00e1 luzes acesas em meio \u00e0 escurid\u00e3o das estat\u00edsticas. Projetos comunit\u00e1rios de leitura, bibliotecas itinerantes, professores que incentivam clubes do livro, rodas de leitura em pra\u00e7as e feiras liter\u00e1rias que, mesmo com poucos recursos, semeiam transforma\u00e7\u00e3o. O que falta \u00e9 o poder p\u00fablico reconhecer o valor dessas iniciativas e ampliar seu alcance.<\/p>\n\n\n\n<p>Goi\u00e2nia pode \u2014 e deve \u2014 virar essa p\u00e1gina. \u00c9 preciso investir em pol\u00edticas p\u00fablicas de fomento \u00e0 leitura, formar poss\u00edveis leitores e mediadores culturais, fortalecer o papel das escolas e democratizar o acesso ao livro. A mudan\u00e7a n\u00e3o vir\u00e1 de uma \u00fanica a\u00e7\u00e3o, mas de um conjunto de estrat\u00e9gias que envolvam governo, comunidade, educadores e fam\u00edlias.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas quantos livros est\u00e3o sendo lidos. \u00c9 que hist\u00f3rias n\u00e3o lidas geram vozes silenciadas. E uma cidade que n\u00e3o l\u00ea, aos poucos, deixa tamb\u00e9m de escrever seu pr\u00f3prio futuro. \u201cUm pa\u00eds se faz com homens e livros\u201d, disse Lobato.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Goi\u00e2nia ocupa o \u00faltimo lugar entre as 27 capitais brasileiras no ranking de leitura, segundo a 6 \u00aa edi\u00e7\u00e3o da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Apenas 40 % da popula\u00e7\u00e3o com 5 anos ou mais afirmou ter lido, inteiro ou em partes, ao menos um livro nos tr\u00eas meses anteriores \u00e0 pesquisa. 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